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Hoje é o dia de rezar pela Criação
01.09.2017
No dia em que o Papa instituiu a Oração pelo Cuidado da Criação, fomos procurar qual perceber a importância desta celebração.


O Pe. Luís Marinho é o Assistente Nacional do Corpo Nacional de Escutas (CNE), escutismo católico português.
Os escuteiros são das associações que mais trabalham estas questões da natureza e de Deus em conjunto. Ainda há pouco, no seu Acampamento Nacional, mais de 21 mil escuteiros estiveram a refletir e a trabalhar sobre a temática do futuro sustentável, e na importância de cuidar da Casa Comum que o Papa Francisco fala na sua encíclica Laudato Si.
 
Para este sacerdote, o apelo que o Papa Francisco faz na sua encíclica e que se celebra neste dia de hoje vem lembrar-nos que «a vida é feita de “cuidado”, o contrário de “indiferença” ou “distração”» e que «a oração é uma forma de “cuidar” da criação, porque a “crise ecológica” requer uma “profunda conversão espiritual” que nasce de dentro, do encontro com a pessoa de Jesus Cristo».
 
Neste sentido, saúda a escolha do dia de hoje para a celebração desta data. «No nosso contexto, o dia 1 de setembro acontece para muitos no fim das férias e início dum novo ano. É, portanto, um tempo de passagem onde é possível recordar quantos lugares onde o encontro com a Criação foi mais demorado e pormo-nos decididamente em marcha para novos modos de cuidarmos do imenso património que Deus confiou ao nosso cuidado», defende o Pe. Luís Marinho.
 
O cuidado da natureza é, todos sabemos, uma responsabilidade de «cada um de nós». Mas a verdade é que muitos se desresponsabilizam da sua tarefa. «Nós somos parte da Criação. Estamos todos dependentes deste “fio de vida” que nos liga e nos sustem», sustenta. É por isso que «uma das linhas mais desafiantes da encíclica Laudato Si é ligar o “grito da terra” e o “grito dos pobres”, a dimensão social e ecológica da crise em que vivemos», afirma, acrescentando que «cuidar do sentido da própria vida, cuidar das relações pessoais, cuidar do lugar onde se habita, cuidar da economia e da política, cuidar dum rio ou duma floresta é sempre cuidar da Criação», explica.


O papel do escutismo
Este é um trabalho que encontra um eco constante no escutismo. «Quem passa por aqui [pelo escutismo] aprende na prática a “cuidar da criação”», resume o Pe. Luis Marinho. «O escuteiro aprende desde o início a praticar a “boa ação” diária e, sobretudo nos acampamentos, experimenta um estilo de vida em “sobriedade” (viver com pouco recursos) e em comunhão com a Criação», diz.
 
Mas não é apenas aí que o escuteiro pode e deve servir de exemplo aos outros. «Não é raro ver também escuteiros que participam ativamente nos partidos políticos e nas mais diversas associações, levando assim o sonho de “um mundo melhor” a outras paragens», conta. Até por o cuidar da Casa Comum não se resume a proteger as árvores ou não deitar lixo para o chão.
 
A participação no escutismo não implica diretamente um maior cuidado pela Criação. São precisas «propostas variadas e com sentido» para que os jovens se possam identificar e caminhar neste sentido. «Temos de contar sempre com a liberdade de cada um, há processos internos de amadurecimento da fé que acontecem ao ritmo de cada elemento», indica.
 
E isso serve também para as comunidades que são influenciadas pelos exemplos dos escuteiros e de todos quantos se preocupam com o cuidado da Casa Comum. «A mudança de comportamentos e de políticas não se faz pela força das armas ou de slogans apelativos, mas pela mudança de mentalidades e comportamentos. E esta mudança é obra de Deus em nós», considera o Pe. Luís.


Texto e fotos: Ricardo Perna
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