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Os lamentos de uma sociedade reativa
27.06.2017

Ontem foram os incêndios, hoje os drones que andam lado a lado com aviões a sério pelos ares de Portugal, amanhã uma qualquer outra catástrofe à espera de acontecer. A sociedade portuguesa vive numa espécie de letargia reativa. Somos campeões da solidariedade e o povo movimenta-se sempre em reação a algo de inesperado e, na maior parte das vezes, triste ou que provoca sofrimento. No entanto, há décadas que se fala na necessidade de repensar a floresta, criar bancos de terras, cultivar mais sobreiros e menos eucaliptos, limpar as matas, e pouco ou nada se faz. Também há muito tempo que se fala na necessidade de regular esta nova realidade dos drones, mas temo que só quando um provocar um sério acidente de aviação as pessoas acordem para a realidade. Pelo menos, para chorar os mortos e cuidar dos vivos, naquele momento reativo logo após a catástrofe.
 
O nosso país à beira-mar plantado tem revelado uma incapacidade de planear e se preparar para a tormenta. Talvez porque tão facilmente nos levantamos, com a ajuda de todos, o nosso subconsciente não nos permite planear, prevenir, evitar as catástrofes. Quão bom seria se, em vez de nos envolvermos a enviar camiões de roupa e água para bombeiros e população, optássemos por ajudar uma qualquer corporação de bombeiros sapadores ou regimento de sapadores do Exército, na altura da Primavera, a fazer limpeza das matas e a criar corta-fogos, criando assim condições para não termos de ser solidários durante o Verão (sim, os bombeiros e o Exército não o fazem, mas não seria bom?).
 
Porque é que não somos capazes de pensar a esta distância, e continuamos a deixar o lixo na rua, sem o separar, ou a deitar beatas para o chão, esquecendo-nos de proteger o ambiente, mas depois nos revoltamos quando vemos uma notícia sobre a ilha de lixo que está a flutuar no oceano pacífico, e até aderimos a alguma manifestação com o fim de protestar contra o ambiente?
 
Mesmo na nossa classe política assistimos a uma espécie de “quem venha no fim, que apague a luz”, ao percebermos que as reformas tão necessárias ficam na gaveta porque mexem com interesses instalados e não dão votos, até que acontece uma desgraça e, de repente, está tudo pronto para ser aprovado em duas horas…
 
Bem sabemos que estes gestos existem em alguns locais, e são pensados por algumas pessoas que se preocupam verdadeiramente em planear, em pensar nestas coisas. Mas raramente são notícia, ou têm peso no dia a dia mediático das pessoas. Só perante a catástrofe a sociedade se move. E é uma pena…